quarta-feira, 6 de julho de 2016

QUEDAS! O QUE FAZER?

Queda é a maior causa de visita à unidade de emergência. Ocorre em qualquer idade e as lesões decorrentes podem ser extremamente graves, envolvendo membros (feridas abertas e fraturas), crânio (traumatismo crânio-encefálico) e abdômen (lesões de órgãos internos).
A maioria das quedas ocorre em casa, acomete crianças de 0 a 5 anos, e estão associadas à ausência de algum cuidador.
Com a supervisão de adultos, modificações do ambiente onde a criança vive, brinca e estuda, e informações claras em produtos de uso infantil, o risco e as lesões decorrentes de quedas podem ter uma redução significativa.
Alguns alertas de prevenção deste tipo de acidente:
Em lactentes:
1. Nunca deixe bebês sozinhos em qualquer local da casa, particularmente em camas, sofás, trocadores, beliches, mesmo que a criança ainda não tenha adquirido a capacidade de rolar.
2. Tenha certeza que colocou grades de proteção em qualquer móvel utilizado para a criança dormir.
3. Cuidado na escolha de cadeiras para oferecer a alimentação. Devem ter base alargada, trava e cinto. Sempre supervisionar a criança, mesmo que ela esteja contida na cadeira com dispositivos de segurança.
4. No berço, observe se a altura da base é suficiente para evitar que a criança caia por cima da grade. Se o limite superior for menor que ¾ da altura da criança, o berço não pode mais ser usado. Estas orientações devem ser seguidas a partir do momento em que a criança consegue ficar em pé com apoio.
5. Nunca coloque brinquedos ou travesseiros dentro do berço. Estes objetos podem cair para fora e a criança tentando alcançá-lo, pode cair.
6. Quando a criança passar para a cama, instale grade protetora dos dois lados.
7. Nunca use andador. É muito comum a queda do andador em escadas, e as lesões decorrentes desta queda sempre são graves, com trauma de crânio e hospitalização.
Em pré-escolares e escolares:
Em casa
1. Disponha os móveis de maneira que a supervisão de seu filho possa ser constante e direta.
2. Trave portas e bloqueie o acesso às áreas perigosas da casa, como lavanderia, cozinha e área externa.
3. Remova tapetes e utilize material de borracha em banheiros.
4. Remova brinquedos e roupas do chão, que possam provocar tropeços, deslizes e quedas.
5. Instale grades protetoras em escadas e áreas de risco da casa, e oriente os familiares para sempre fechá-las após o uso.
6. Instale redes ou grades de proteção em todas as janelas dos apartamentos ou casas do tipo sobrado.
7. Mantenha os móveis afastados das janelas.
Em área externa a casa
1. Proíba atividades em áreas elevadas, como balcões, lajes e telhados.
2. Prefira triciclos a bicicletas.
3. A utilização de equipamentos de proteção como capacetes, cotoveleiras e joelheiras em atividades com bicicleta, diminui a gravidade, mas não evita as lesões decorrentes das quedas. Estas atividades devem sempre ser supervisionadas por um adulto e realizada em áreas fechadas, sem trânsito urbano.
Saiba mais: Crianças e Adolescentes Seguros. Guia Completo para Prevenção de Acidentes e Violências. Sociedade Brasileira de Pediatria. Coordenadores: Renata D. Waksman, Regina M. C. Gikas e Wilson Maciel. Editora: Publifolha, 2005.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

POR QUE IR NA CONSULTA PRÉ-NATAL COM O PEDIATRA?

A consulta pré-natal com o pediatra é muito importante tanto para a gestante de alto risco quanto para a gestante de baixo risco. É o momento de discutir os problemas, as doenças ocorridas, os medicamentos usados na gestação e as expectativas dos pais. Essa consulta deve ser realizada no terceiro trimestre da gravidez.
Ela permite um conhecimento prévio entre a mãe e o pediatra, que poderá esclarecer e orientar quanto à assistência em sala de parto e o pós-parto imediato.
Ali serão esclarecidos também os procedimentos nas primeiras consultas do bebê e como será o acompanhamento da criança no primeiro ano de vida; as primeiras vacinas, os primeiros testes laboratoriais, o teste auditivo, oftalmológico e o teste do coraçãozinho que deve ser feito ainda na maternidade.
O pediatra também pode orientar a futura mamãe sobre o aleitamento materno, o cuidado e preparo das mamas durante a gestação, no pós-parto imediato e durante toda a lactação. É muito interessante que os pais saibam da importância do leite materno para o bebê e o que ele pode prevenir. O leite materno é considerado definitivamente precursor de uma vida saudável. Nesta consulta pré-natal com o pediatra, a mãe receberá também orientações quanto à higienização do bebê, de suas roupinhas e do ambiente.
O parto deverá ocorrer em ambiente hospitalar, com a presença obrigatória de um pediatra habilitado em reanimação neonatal, que dará assistência ao recém-nascido. Logo após o nascimento, o bebê que estiver bem deverá ficar com a mãe, iniciando a amamentação ainda na sala de parto e permanecendo em alojamento conjunto até a alta do hospital. 
Os bebês que necessitarem de assistência logo após o nascimento, depois de estabilizados, deverão ser encaminhados ao berçário de alto risco ou à UTI neonatal. Partos prematuros ou de risco deverão ocorrer em hospitais com UTI neonatal e UTI para adultos.
O melhor transporte para o recém-nascido é o útero materno.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

DENGUE

 A dengue é considerada um grave problema de saúde pública, principalmente em regiões subtropicais e tropicais. É uma doença febril aguda, causada por um dos quatro tipos do vírus Dengue (1, 2, 3 e 4), e que se manifesta desde quadros leves, sintomas clássicos, até formas graves, que podem evoluir para o óbito. Acomete principalmente crianças pequenas (lactentes), escolares e adultos.
Como a dengue pode ser transmitida?
A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito da gênero Aedes aegypti que esteja infectada pelo vírus da dengue. Esta fêmea do mosquito permanece infectada por toda sua vida (de 6 a 8 semanas), mantendo o ciclo de infecção homem-mosquito-homem.
Quais os sintomas da dengue?
Em geral, após 4 a 10 dias da picada surge a primeira manifestação da forma clássica da doença, que é a febre alta (39 a 40 °C) de início súbito, com duração de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça (cefaleia), dores no corpo (mialgia) e articulações (artralgias), prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele (exantema) e coceira (prurido cutâneo), além da diarreia, enjoos (náuseas) e vômitos. Na criança, a fase febril inicial da doença pode ser confundida com outras doenças febris (como gripe, sarampo, rubéola, etc.), e, portanto, sempre que possível ela deve ser avaliada e acompanhada por um pediatra.
Como reconhecer a forma grave da doença?
No período de diminuição ou desaparecimento da febre, geralmente entre o 3º e 7º dia da doença, a maioria dos casos irá evoluir para a cura. No entanto, cerca de 10% dos casos podem apresentar sinais de alarme, que indicam evolução para a forma grave da doença, que são:
– dor abdominal intensa e contínua;
– vômitos persistentes;
– acúmulo de líquidos no abdômen, pulmões e coração (ascite, derrame pleural e derrame pericárdico);
– sangramento de mucosas (nariz, gengivas);
– sonolência ou irritabilidade;
– sensação de desmaio, tonturas.
O que fazer na suspeita de dengue?
Procurar o atendimento médico para a avaliação clínica, que norteará a solicitação dos exames (de sangue ou de imagem – RX de tórax, ultrassonografia) e orientação das medidas gerais, como a ingestão aumentada de líquidos (água, sucos, soro ou água de coco) e os medicamentos sintomáticos. Na presença de sinais de alarme, procurar imediatamente atendimento em unidade de urgência e emergência, ou hospital.
Existe medicamento específico para combater ou prevenir a doença?
Não existem medicamentos específicos ou vacinas para prevenir a doença. É importante seguir as recomendações médicas, evitando a automedicação, principalmente os medicamentos à base de ácido acetil salicílico (AAS), e de outros anti-inflamatórios.
Quais as medidas de controle da dengue?
Como o período de maior transmissão coincide com o verão e o início do período de chuvas, época em que os fatores climáticos favorecem a proliferação do mosquito, as medidas de controle da doença se baseiam na redução da quantidade de mosquitos. Para isso, é preciso manter o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros, ou seja, os locais que acumulam água, pois o mosquito precisa de um ambiente com água para se reproduzir. É muito importante que cada um faça sua parte, evitando que a água fique acumulada em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.
FONTE: 
Coordenação Geral do Programa Nacional de Controle da Dengue/SVS/MS.
Rede de Ações Integradas de Atenção à Saúde no Controle da Dengue/ Fiocruz.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

COSMÉTICOS INFANTIS - QUAIS OS MELHORES PRODUTOS?

O uso de produtos cosméticos em crianças é cada vez mais frequente. Em parte, devido ao apelo das indústrias que oferecem uma ampla gama de produtos; em parte pela vontade dos pais em proporcionar o que há de melhor para os seus filhos. Entretanto, algumas dúvidas são comuns aos pais:
– Quais os melhores produtos?
– Devemos mesmo usar estes produtos cosméticos?
– A partir de que idade a saúde da criança não será prejudicada?
Todos os produtos infantis como xampu, creme hidratante e gel para cabelo, entre outros, devem passar por testes que medem a segurança do consumidor – medindo, por exemplo, seu potencial de irritar da pele e de provocar alergias. A Anvisa possui regras rigorosas para a liberação de produtos destinados às crianças.
Como a pele das crianças é mais fina, mais sensível, e possui distribuição mais densa de glândulas, os produtos para elas devem conter menos substâncias químicas capazes de causar irritação e futuras reações alérgicas. O pH da pele é ácido, em torno de 5,5, e este " manto ácido" é o responsável pela proteção e pelo equilíbrio da flora normal da pele.
No sabonete, por exemplo, devemos cuidar com o pH. A pele possui uma proteção natural que é o seu pH de 5,5, ou seja, levemente ácido. O uso de sabonetes com pH muito alcalino pode levar a uma alteração do pH da pele e deixá-la mais suscetível a infecções e irritações.
A maioria dos sabonetes infantis não informa o pH no rótulo. Além disso, o pH da maioria dos sabonetes em barra é mais alcalino que os líquidos e, portanto, são mais irritantes e ressecam mais a pele.Nem sempre o fato de um produto se dizer “infantil” ou “neutro” indica que ele é bom ou que não vai irritar a pele.
Como regra geral, são recomendados os sabonetes líquidos, com fragrâncias suaves, que tenham sido dermatologicamente testados. Os sabonetes antissépticos ou antibacterianos não devem ser utilizados como rotina.
Outros produtos como maquiagens, esmaltes, pinturas ou tatuagens podem causar sérias irritações na pele das crianças. A utilização cada vez mais precoce desses produtos faz com a pele da criança seja sensibilizada muito cedo, aumentando a chance de reações alérgicas. Os esmaltes são causas frequentes de alergias no rosto e ao redor dos olhos nas meninas. O uso de produtos perfumados, roupas e calçados sintéticos, materiais desportivos contendo borracha (óculos de natação, caneleiras) e produtos de higiene ou de limpeza podem ser sérios candidatos a provocar reações na pele das crianças.
Antes de comprar qualquer produto para o bebê ou a criança, os pais devem observar se ele é liberado pela Anvisa. Verificar ainda se ele vem de um fabricante confiável e se é adequado à idade da criança. É importante, também, buscar orientação com o pediatra. Além disso, quanto mais precoce a exposição a diferentes produtos, maior a chance de sensibilização.
As tatuagens de “henna” são frequentemente combinadas com uma substância química chamada parafenilenodiamina, que deixa a cor escura, mais parecida com uma tatuagem de verdade. Várias reações alérgicas a essa substância tem sido descritas em crianças, muitas vezes com formação de bolhas e cicatrizes. A criança que apresentou alguma reação alérgica a esta substância não pode mais entrar em contato com a mesma.
A utilização cada vez mais precoce de maquiagens e esmaltes tem aumentado consideravelmente a ocorrência de dermatites de contato, principalmente nas meninas.
Como não é possível prever se a criança é ou não alérgica a determinado produto, deve-se ter bom senso. Não há uma idade “segura” para indicar a introdução de produtos cosméticos, mas quanto menor for a sensibilização na infância, melhor. Infelizmente, muitas vezes, somente depois de várias exposições à substância alergênica é que ocorrem as reações.
A SBP tem se empenhado junto à Anvisa para discutir este assunto e garantir uma maior segurança no consumo destes produtos por crianças.

domingo, 26 de junho de 2016

QUANTAS HORAS MEU FILHO DEVE DORMIR?

Durante a infância, a criança vivencia constantes modificações no sono que refletem o grau de maturidade e desenvolvimento do sistema nervoso central.
Do nascimento até o 6º mês de vida, o sono vem em ciclos de 3 a 4 horas no primeiro mês de vida, independente de ser noite ou dia. Entre o primeiro e o quarto mês, o bebê vai se adaptando progressivamente à luz e fazendo um sono mais longo quando é noite.
O primeiro indício de que o bebê está adequando seu ritmo biológico ao dia de 24 horas é entre a 3ª e a 4ª semana de vida. O bebê fica mais agitado e chorando, geralmente no final da tarde ou início da noite (entre as 17 e 22h). É a chamada “hora da cólica”.
Em torno do 6º mês de vida, os períodos de sono já chegam a 6 horas, geralmente com dois períodos noturnos separados pelo despertar para mamar. A consolidação do sono noturno ocorre gradualmente a partir daí.
Entre 2 e 3 anos, o sono noturno deve estar consolidado. Os períodos de sesta durante o dia tendem a diminuir e até acabar. A dificuldade de separação dos pais se reflete na ansiedade, na dificuldade de dormir e nos medos noturnos. Nesta fase é fundamental manter as rotinas para dormir. Os distúrbios do sono são comuns entre 20 e 30% das crianças nesta faixa etária.
Se seu filho está na pré-escola, procure evitar a sesta no final da tarde. Ela pode interferir no sono noturno. Nesta faixa, cerca de 15 a 30% das crianças ainda têm distúrbios de sono.
A transição para o padrão adulto de sono inicia a partir dos 5 anos e vai até os 12. O horário de acordar é fixo nos dias de escola. São frequentes, nesta faixa, os pesadelos e as parassonias (movimentos anormais que resultam na interrupção do sono).
Na adolescência, ocorre aumento fisiológico de sonolência diurna, pela privação de sono. Em dois anos, o tempo total de sono diminui cerca de três horas (de 10 para 7 horas), provocando um débito de sono. Ocorrem diferenças entre dias de semana e fins de semana, quando o jovem dorme mais. É frequente, nesta idade, o sono demorar para chegar, podendo atrasar de uma a 3 horas.
A tabela abaixo evidencia as modificações principais no tempo de sono do nascimento a adolescência. 
 
IdadeMédia de horas de sonoCaracterísticas do sono
 Recém-nascidos (0 a 30 dias de vida) 16 a 20 horas Ciclos de sono com 1 a 4 horas de duração, intercalados por período de vigília de 1 a 2 horas, independente de ser noite ou dia.
 Lactentes 
(1 a 12 meses)
 14 a 15 horas (em torno do 4º mês de vida) e 13 a 14 horas (em torno do 6º mês de vida) Entre 6 semanas e 3 meses começa a ocorrer diferenciação dos ciclos de sono diurnos e noturnos, que ficam mais longos. Após os 6 meses, observa-se sestas diurnas (em torno de duas por dia) que podem durar de 2 a 4 horas.
 1 a 3 anos 12 horas Sono noturno consolidado e uma sesta por dia (1,5 a 3,5 horas).
 3 a 6 anos 11 a 12 horas Redução das sestas. Em torno de 4 a 5 anos não ocorrem mais sestas diurnas.
 6 a 12 anos 10 a 11 horas Observa-se diferença em relação à duração do sono noturno em dias de semana e fins de semana.
 Adolescentes (> 12 anos) Ideal = 9 horas 
Real = 7 horas
 Esquema de horários irregular, atraso do sono.
 Modificado de: Mindell JA, Owens J. A Clinical Guide to Pediatric Sleep. Editora Lippincott, Williams & Wilkins, 2003.

sábado, 25 de junho de 2016

ESTIMULANDO PRECOCEMENTE O PREMATURO

 O bebê que nasce antes de 37 semanas de gestação é considerado prematuro. No entanto, aqueles que nascem muito mais apressadinhos, bem antes do tempo, apresentam maior risco de atraso no desenvolvimento neurológico. A estimulação precoce é uma estratégia para vencer as dificuldades apresentadas pelo bebê e constatadas nas avaliações clínicas periódicas realizadas pelo pediatra.
Uma destas dificuldades é a fala. Função normalmente realizada pelo lado esquerdo do cérebro, a fala pode ser comandada pelo lado direito do cérebro, a partir da estimulação precoce.
Esse processo é conhecido como plasticidade neural, ou seja, a capacidade que o cérebro da criança tem de fazer com que a parte saudável assuma funções adicionais para compensar uma parte que não está bem.
O trabalho intenso e direcionado de estímulos à criança pode reverter situações difíceis como o distúrbio da fala, viabilizando condições essenciais como a alfabetização da criança.
Outras dificuldades que podem aparecer também em bebês muito prematuros são os problemas motores e psicológicos ou psiquiátricos.
O pediatra reconhecerá essas dificuldades durante as consultas e fará os encaminhamentos necessários para a área específica, atento acada etapa evolutiva da criança, para que a intervenção se dê no momento certo. A estimulação muito precoce gera estresse na família e na criança, e não é produtiva; já a estimulação tardia é só parcialmente eficaz.
A participação da família neste processo é imprescindível. Muitos dos exercícios complementares devem ser realizados aos poucos e em casa,como parte de brincadeiras, para que a criança vivencie o processo com satisfação. As dificuldades matemáticas podem ser antecipadas, ao avaliar a criança aos três anos, idade em que já deverá ter noção de quantidade e como representá-la, embora não graficamente, mas em brincadeiras e jogos.
A família deve estar atenta, trazendo questões e dúvidas nas consultas, para que seja possível o diagnóstico precoce do problema.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

VOU VIAJAR COM MEUS FILHOS

Levar as crianças para viajar, embora seja um desafio para os pais, é sempre muito divertido, tornando-se lembranças saudáveis da infância.
Porém para que estas lembranças não se tornem pesadelos são necessários alguns cuidados especiais que vão desde a escolha do destino até atenção especial com a saúde.
É importante lembrar que a criança possui necessidades especiais, próprias para sua idade, que devem ser respeitadas. Como por exemplo, estarem mais vulneráveis à desidratação e ao enjôo de movimento.
Antes de viajar: definir o destino com antecedência e com a participação dos filhos é muito importante, sendo uma ótima oportunidade para fortalecer o diálogo entre pais e filhos. Sem criar ansiedade estimular o interesse sobre as características do local a ser visitado (geografia, cultura, lazer...) e estabelecer um roteiro, tempo de permanência e local de hospedagem.
Fazer uma consulta médica (1-2 meses antes) verificando e atualizando, se necessário, as vacinas da infância (algumas regiões do Brasil e do exterior necessitam de vacinas especiais). Também é conveniente uma consulta odontológica. Verificar se as mensalidades de seu seguro saúde estão em dia e a cobertura que lhe é de direito. Em viagens de carro ou ônibus escolher horário de menor trânsito e menos calor.
Preparando as malas: evitar bagagem desnecessária. Não se esquecer dos documentos das crianças e do cartão de seu seguro saúde. Menores desacompanhados dos pais necessitam de autorização junto a Vara da Infância e Juventude e, em viagens ao exterior mesmo que acompanhados de um dos pais, também é necessário a autorização por parte do outro. Providenciar uma pequena mala ou mochila e estimular seu filho (a) a ter responsabilidade com a própria bagagem, porém, supervisionar e permitir em sua bagagem algum brinquedo pessoal. Levar roupas adequadas ao clima do local de destino. Sob orientação médica preparar um “KIT” medicação (anti térmico, anti alérgico, anti emético, repelente, protetor solar, curativos adesivados) e não se esquecer das medicações de uso pessoal contínuo.
Durante a viagem: trajetos longos de automóvel necessitam de pequenas paradas para descanso e necessidades fisiológicas, aproveitar para oferecer líquidos e alimentos leves para as crianças. Nestes locais de parada prestar atenção em eventuais riscos de acidentes como atropelamentos no estacionamento e proximidade com a estrada, verificar também as condições de higiene local (lanchonete e restaurante). Providenciar atividades de “passa tempo” como jogos e estórias inventadas (a leitura pode ocasionar enjôos). Não se esquecer das regras de segurança no transporte de crianças. Em viagem de trem, navio ou avião disciplinar as crianças a respeitarem as regras de segurança de bordo.
No destino: aproveitar as férias, mas lembrar-se que a prevenção de acidentes não tem descanso. As atividades das crianças deverão ser supervisionadas por um adulto. Verificar os riscos locais (área rural, praia, metrópole, ecoturismo, esportes radicais) e orientar seus filhos, principalmente adolescentes em relação ao uso de álcool e drogas, ou eventual atividade sexual sem proteção.